O livro, os problemas psicológicos

 

A editora www.livropronto.com.br está trabalhando na produção de Ao Encontro de Nietzsche, um livro que trás uma história fictícia – e trágica –  sobre um certo período da vida de Friedrich Nietzsche, o maior filósofo da Europa. A ansiedade é imensurável, tanto que preciso dividi-la aqui com os guerreiros leitores deste blog que há muito não ver um post.

 

Ultimamente tenho pensado sobre vários temas, mas resolvi não escrever – até agora –   sobre eles, porque não têm haver com o assunto acima.

 

Há poucos dias terminei de ler um livro de Sidney Sheldon, cujo título é: Conte-me seus sonhos. Muito bom, baseado em problemas psicológicos. Que, aliás, é o problema do mundo. Precisamos dar uma atenção especial aos problemas psicológicos, são eles que geram os problemas físicos. Mas a gente insiste em não ver.

 

Quem não conhece uma pessoa que apresente esses problemas? Atribuímos esses problemas a demônios, espíritos, fantasmas... e fechamos os olhos para não ver.

 

A religião em si, acho, é um problema psicológico, que os pais enfiam na cabeça dos indefesos filhos. Em vez de educá-los, procuram colocar medo em suas frágeis cabeças...

 

O próprio Nietzsche, passou os últimos dez anos de sua vida louco. Vítima de umas fortes crises de loucura, ficou aos cuidados da família até morrer.

 

No livro Ao Encontro de Nietzsche procuro criar esse período de desenvolvimento da doença. Baseado nas ideias de suicídios que perseguiram o filósofo.

 

Vamos esperar, mais um pouco de paciência, logo estará pronto....

 

:: Postado por Fábio Mota às 09h54         ::         :: Envie esta mensagem



 

Meu livro será publicado, Meus agradecimentos

 

Hoje escreverei para agradecer. Quero agradecer a todos que tiraram um tempinho de seu precioso tempo, tão raro em nossos dias, para apoiar a publicação do meu primeiro livro, que se chama “Ao Encontro de Nietzsche”.

 

Obrigado pela força, vocês são os responsáveis por essa coisa boa que aconteceu, fiquei em terceiro lugar e o livro será publicado por conta da editora LivroPronto. E isso só foi possível por causa de vocês, que apoiaram a causa. Neste momento não sei como retribuir o carinho que recebi.

O romance (na verdade é pouco mais que um conto, em torno de 100 páginas) nasceu de uma idéia para homenagear os amigos mais próximos, fãs de Nietzsche, mas acabou agradando as cobaias que o leram, ainda rascunho, além do esperado; daí veio a idéia de querer publicá-lo.

Espero que gostem. As pessoas que têm preconceitos morais dificilmente aprovarão, mas o título já avisa, não é mesmo? É um livro para espíritos livres, mas não se resume a isso, porque tem uma história e qualquer pessoa pode gostar.

 

Leio Nietzsche desde 2003, mas não pensava inventar algo baseado em sua vida, nunca pensei nisso. A obra simplesmente apareceu do nada. Poderia dizer que nasceu pronta, eu apenas a coloquei no papel.

 

Agora é esperar pelo lançamento, que não tenho idéia de quando será, vou aguardar contato da editora, qualquer novidade informarei aqui no blog.

 

É isso, a todos que se envolveram de alguma forma na luta, muito obrigado!

 

:: Postado por Fábio Mota às 09h27         ::         :: Envie esta mensagem



 

Ao Encontro de Nietzsche

 

Hoje quero falar sobre meu primeiro livro, meu primeiro romance. Há bem pouco tempo concluí minha primeira obra literária, que ainda não sei se será publicado por alguma editora. Pelas pesquisas que já fiz, pude perceber que as editoras não querem saber de novos autores.

 

Escrever um livro, qualquer um pode escrever; mas o complicado é conviver com a incerteza: algum dia será publicado? Acho que só mesmo os que têm um livro publicado fazem idéia dessa emoção, ninguém mais.

 

Dizem por aí que em nosso país há cada vez mais escritores e menos leitores. Mas quando se conclui sua própria história, realista ou fictícia, no momento em que se finaliza seu próprio livro é muito tocante, e não dar para ficar pensando no pequeno número de leitores que ele terá.

 

Sim, mesmo com essa angustia do “talvez” da possível publicação nos consumindo como um verme, dia a dia; mesmo existindo, também, bastantes histórias de obras que foram recusadas pelos editores; obras que depois se tornaram grandes sucessos. Sim, é uma grande felicidade concluir um trabalho e se dar por satisfeito. Ainda que não saibamos se algum dia será publicado, pois se grandes livros enfrentem dificuldades para serem publicados, imaginem...

 

Não sei se é cedo demais para falar de um livro que talvez nem chegue ao público. Mas não consigo me conter. Apesar de ser um suspeito para falar, modéstia à parte, acho que ficou bacana; ou ao menos, acho, que ficou como eu gostaria que ele ficasse. Passei apenas alguns meses trabalhando com afinco nesse livro – estava pronto em minha mente.

 

Bom, o livro chama-se Ao Encontro de Nietzsche, um pequeno romance, uma ficção com um pouco de realidade, baseada na vida do mais polêmico filósofo de todos os tempos, o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900).

 

:: Postado por Fábio Mota às 11h19         ::         :: Envie esta mensagem



 

A última noite

 

“Esta é a última noite, a última noite juntos”. Ainda consigo ouvir as derradeiras palavras que saíram da boca dela, dos lábios escuros dela; lábios pintados de um batom negro naquela noite, daquele dia, daquela semana, daquele mês de xxxx, palavras que para sempre marcariam minha vida e me lavariam a uma desilusão que se estenderia por alguns lentos anos: “esta é a última noite, a última noite juntos.

 

Eu jamais esperei ouvir aquelas satíricas palavras, misturadas ao ar frio da noite de estrelas no céu iluminado. O perfume doce que eu sentira do corpo dela até então, misturou-se ao sal que as lágrimas - tão dolorosamente soluçadas - deixavam sobre minhas bochechas e sobre a minha boca. Como se a noite caísse, o céu caísse, o sentido da vida caísse.

 

Eu nunca tinha sentido aquele gosto cáustico antes; amargo, aderindo minha alma e quebrando meus sonhos e partindo meu coração. Eu não conhecia a tragédia que o amor nos reserva para depois das paixões sucumbirem ao egoísmo individual. E ainda não consegui entender nem chegar perto de entender o que se passara naquela noite de um dia no final do mês de xxxx de 2xxx.

   

As coisas estavam tão bem até então, eu estava tão feliz que poderia morrer e não seria ruim de aceitar e partiria tão feliz como eu estava. Ela estava tão linda - mas ela sempre estava tão linda -, tão linda, eu acho que ela estava num vestido preto e usava um batom de cor preta que deixava seus lábios mais belos do que já eram, como se isso fosse possível, eu pensara.

 

Ninguém espera pelo fim, eu sei disso; eu não esperava pelo fim; eu nunca tinha sequer imaginado que acabaria de tão pungente forma aqueles inefáveis dias que eu respiro até hoje; nosso amor não significava literalmente nada; não para mim, mas para ela sim; não significava coisa alguma nosso amor para ela. Eu não era nada, não pensava em ser nada, mas tinha em mim todos os sonhos do mundo.

 

Estávamos numa pizzaria na xxxx... Ela ali, olhando-me com os olhos arregalados e as sobrancelhas arqueadas de uma forma que eu ainda não conhecia. Eu limitei-me a encolher os ombros, a sensação de perdição, de desespero me dominando, aquela situação era um contraste com o que acontecera nos últimos trinta dias passados; invadia minha respiração e, aqueles cabelos soltos, a face, aqueles cílios negros dela, eu podia ver as pálpebras, os olhos dela me olhavam desumanamente.

 

Eu sabia que tudo aquele romance teria um fim. Acho que ela e eu sabíamos disso. O olhar dela estava frio, como a noite de xxxx, a voz soava como ultimato, foi a primeira coisa que eu percebi. O rosto dela estava tão severo, rígido. Sim, estava tão austero. A boca dela estava fechada depois do ultimato. Como se jamais fosse novamente sorrir. Os dentes dela eu não conseguia ver, os alvíssimos dentes brancos dela estavam sob os lábios carnudos que estavam sob um batom de tom escuro. Por que ela decidira agir de tal forma? Eu não entendi? Sim, ela devia ter as suas razões. Todos têm as suas próprias razões. E sim, eu entendi. Ou ao menos respeitei. Sim, foi assim... Eu não fui de encontro a ela. Ela me deu essa alternativa? Não. Foi o que eu senti na hora que ela me dispensou. Quando o céu caiu. Fiquei no espanto, na tristeza, acho que foi assim. O ambiente silencioso, a pizza ficou como chegara: intocada. Ali, eu entendi que tudo acabara; minha felicidade acabara; literalmente. Eu não debati, eu logo me entreguei, mas registrei a derradeira visão dos dias felizes que eu vivi, enquanto a espada transformada naquelas palavras dela penetrava meu coração sangrento, transportando-me ao sétimo inferno. Acho que foram legais esses dias, para ela também.  

 

Ainda não consigo dizer direito como eu sofri depois das mortíferas palavras proferidas por ela. Nem agora, com as coisas mais claras, nem agora eu sei definir aquilo tudo, nem dizer em quantos lugares o meu coração fora dilacerado. Lembro-me, eu estava sob o céu estrelado daquela noite fria de xxxx.

 

Ainda hoje, aqui sozinho quando escrevo estas entrelinhas, meu passatempo preferido de ultimamente, ainda hoje, quando às vezes distraído, quando estou sozinho entre miasmas noturnos, ou quando fico a remoer o passado, ou fico triste com esse mundo sem organização e sem lógica, ainda por muitas vezes sinto aquele vento frio daquela noite fria de xxxx, não é sempre, mas ainda me ocorre por vezes aquele vento frio balançando, levemente, meus pensamentos, da xxxxx... Aonde a gente foi conversar depois do lugar aonde fomos num lugar da cidade onde vivíamos.  E tudo que tínhamos feito durante todos aqueles dias, naquele mês, fiou para trás.

  

Antes de chegarmos à pizzaria, não dava para ter certeza, não era possível saber o que ela tinha para conversar. “Precisamos conversar”. Do topo do meu estado de espírito, ludibriado pelas ilusões do amor, quando apaixonado pela primeira vez, perdidamente apaixonado pelo primeiro amor. Amor que eu recordaria tempos depois, inúmeras vezes, nos poemas melancólicos que eu escreveria. 

 

Sei exatamente como era a realidade daquele ambiente que cercava a nossa “conversa.” “Precisamos conversar.” Passo por perto quase todos os dias, eu sempre passei perto de lá, não foi só naquele mês de xxxx. Reforcei a imagem na minha memória todos os dias que se sucederam, quando passei por lá. E era assim: o véu da noite, brilhantíssimo no céu longínquo, multiplicando o brilho das estrelas que sempre aparecem naqueles tempos antes e depois da festas juninas.

 

Era um fim-de-semana, eu acho que era um fim-de-semana. Eu não tenho certeza. Mas isso é insignificante. Não importa. Existem lembranças que me dizem ser mais fortes.

 

Pela manhã, cedo, eu estava feliz, tocando meu violão e cantado nossa canção preferida. Eu não sei mais qual era a canção. Ela nunca mais tocou.

 

Eu não sabia que terminaria, eu pensava, mas eu sabia. Enquanto caminhávamos, em silêncio, de volta para casa, ela e eu, andando nas ruas, caminhando sem pressa, a passos lentos, ainda não doía como doeria, a gente não conversou como quase sempre não conversava. Eu não sei o que ela sentia, nem o que ela pensava, tudo havia terminado, sem muito discurso. Mas ela já havia pronunciado as palavras que me pediam para sair de sua vida. E todos os meus planos tinham sidos jogados fora.

 

Era meu primeiro amor. E quando se ama pela primeira vez tudo é azul, toda ilusão faz sentido. Mas naquele dia, naquela noite eu senti o poder da palavra, o peso insustentável da leveza do ser. Eu conheci o outro lado e vi o céu cair sobre mim.

  

O fim do amor; o início e o fim. Foi quando eu comecei a deixar de acreditar no amor. Ainda posso sentir as lágrimas caindo e molhando meu rosto a noite inteira. Tudo que era possível caíra por terra a baixo.

 

Sonhar tinha sido meu passatempo favorito durante todo aquele mês, eu estava me transformando num especialista na arte de sonhar o dia inteiro, mas tanto o País das Maravilhas de Alice, que eu ainda não conhecia, quanto os filmes românticos, que eu conhecia, começavam a perder o encanto, sem que eu pudesse entender, o amor ninguém pode entender.

 

 Nem os livros de história ou de poesia, que eu tanto gostava, apraziam-me naquela noite. Todas minhas aspirações, todas as ambições que eu tinha, anteriormente parecendo perfeitamente possíveis... Mas era apenas uma paixão, eu estava fora de mim, fora do mundo real.

 

 

 

:: Postado por Fábio Mota às 17h05         ::         :: Envie esta mensagem



 

A Metamorfose, de Franz Kafka

 

Lendo Franz Kafka, a magistral narrativa do seu livro A Metamorfose, não entendo como nossa educação nos mantêm distantes de obras tão grandiosas como essa.

 

É destrutiva a irresponsabilidade de nossas escolas, onde verdadeiramente somos iludidos, mal alimentados mentalmente; onde nos privam do acesso à cultura, à arte, à liberdade.

 

Deslocam-nos do caminho correto, e nos conduzem como soldados cegos, numa batalha que não existe. Mas ninguém precisa que o transporte para o subterrâneo. Nossa educação conspira para nosso fracasso como seres humanos.

 

Não há maior castigo do que privar um estudante de obras como A Metamorfose. Só mesmo uma escola de natureza imponderável, só um sistema louco, injusto e cruel pode ser capaz de um castigo tão louco, tão injusto e tão cruel.

 

E essa primorosa peste, que contamina a comunidade; e, sobretudo, essa impotência dos nossos sistemas de ensino, não pode mesmo ser um castigo de Deus, que rouba vida de crianças e destroça infância com violência silenciosa.

 

Eu nunca tinha lido Kafka, eu não conhecia Kafka. Esse destino que tomei, e o sentimento que agora tenho, resignado, não, eu não aceito, um sentimento de impotência que denuncia a incapacidade para aceitar que nem tudo obedece à nossa exclusiva vontade.

 

Pois minha vontade era poder ter conhecido literatura na escola, ter conhecido desde cedo o mundo mágico da literatura. Eu queria ter sido apresentado às literaturas como a de Franz Kafka. 

 

:: Postado por Fábio Mota às 12h32         ::         :: Envie esta mensagem



 

Se Eu Fechar Os Olhos Agora

 

Conclui a leitura do extremamente emocionante Se Eu Fechar Os Olhos Agora, primeiro romance do jornalista Edney Silvestre.

 

A narrativa é envolvente; eu achei legal, principalmente, a parte, bem focada, do amadurecimento de dois garotos, de doze anos, Paulo e Eduardo, ante as descobertas da vida adulta.

 

Eles vivem em uma pequena cidade da antiga zona do café fluminense, encontram o corpo mutilado de uma mulher às margens de um lago, aonde sempre iam, onde foram parar depois de fugir da escola, depois de fugir do diretor da escola.

 

Eles não se contentam com a explicação oficial que a cidade dá e aceita para o crime, que incrimina o marido, dentista da cidade, por motivos de ciúme. Então os dois garotos iniciam sua própria investigação, ajudados por um velho - ex-preso político da ditadura de Getúlio Vargas - que vive no asilo da cidade.

 

O final é macabro; bem construído; bem interessante; e muito, muito emocionante.

 

:: Postado por Fábio Mota às 10h09         ::         :: Envie esta mensagem



 

A falta do que escrever

 

A falta do que escrever, a falta de inspiração para qualquer bobagem me pega de vez em quando. São os monstros da inércia – talvez seja a falta de solidão, para curtir um pouco de nostalgia -, não sei bem; quais as características do terrível monstro responsável por essas aborrecentes paradas no tempo.

Parece que fico confuso, pensando no que escrever, na busca por um assunto que não seja tão idiota, embora nem sempre isso seja possível. Quando escrevo um pouco, normalmente já me dou por satisfeito e talvez um pouco alegre. Mas nem sempre sai alguma coisa, qualquer coisa. Não. Não sai nada. Para quem gosta de escrever, quem já experimentou – e quem nunca? – deu “um branco”, ou “um preto”. A agonia dos instantes que vão se esvaindo, como areia num relógio-de-areia, e a falta de calma, atenta – quase cruel -, a impedir a aproximação, o surgimento das palavras.

É quase como um desespero da incerteza de um dia vazio que se aproxima, a presciência das horas abstrusas e lentas que terão de ser enfrentadas no dia, na noite seguinte, acontece quase sempre num dia importante, em que há tarefas extras à nossa espera, onde situações urgentes imploram por nossa atenção.

Então quando você menos espera, por vezes, não é sempre, veja bem, por vezes dar para tirar proveito do inoportuno e indelicado momento. Agora, por exemplo, essa lengalenga que escrevo, como se fosse um discurso de um político experiente na arte de enrolar, de nada dizer, de tanto omitir...

Mas me dou por satisfeito. Agora posso dedicar meu tempo, ao Se Eu Fechar Os Olhos Agora, meu livro de leitura do momento, posso sentir as pálpebras mais maneiras, como depois de um longo sono, abro o livro, fico quase louco, o livro é pirado demais, muito bom mesmo: Edney Silvestre, Se Eu Fechar Os Olhos Agora. Prometo que depois faço uma resenha deste grande romance. Agora, só mesmo posso escrever esta “crônica”, esta péssima crônica.

:: Postado por Fábio Mota às 10h53         ::         :: Envie esta mensagem



 

O grande escritor Paulo Coelho

 

O que o escritor Paulo Coelho poderia ter feito de tão ruim para o mundo literário, para ser tão malquisto nessa escura nevoenta que é o cenário literário brasileiro? O fato já é conhecido há um bom tempo, mas fica mais evidente quando existe algum “debate intelectual.” Seus adversários, que não conseguiram o sucesso dele, tentam demonstrar a qualquer custo que Paulo Coelho é um péssimo escritor, mesmo depois de o cara ter vendido mais de 100 milhões de livros.

Por que isso? A suposição mais plausível é talvez a mais ingênua: o que não se perdoa, na verdade ao grande escritor é o seu sucesso. Por força de teimosa tradição, esse país, em geral não convive bem com o êxito; a doença afeta tantos! Muitos os inimigos da ocasião. Em vez de admiração, a inveja provoca ressentimento. Em vez de afeição, atrai rancores, ódio. O resultado é apenas o traço da personalidade mesquinha da humanidade, humanidade brasileira.

Falar mal de Paulo Coelho é - vejo em sites, entrevista, comentários - é um esporte banal, sobretudo entre pessoas que ainda nem aprenderam a ler. Pelo que vejo, é um dos passatempos preferidos de muita gente que se julga... Mas a popularidade do escritor é igualmente alta entre os colossos do nosso mundo de leitores.

O desapreço por Paulo Coelho é um fenômeno equivocado. Nunca na história desse país um escritor brasileiro conseguiu vender tantos livros. Portanto precisamos por fim nessa doença contagiosa de que Paulo Coelho não sabe escrever.

Acusam-no de tantas coisas, que não vou citar por serem inverdades absurdas. Mas a gente precisa ver o que tem de errado com essa vontade de ser pequeno, com essa coisa errada desse país chamado Brasil.

Paulo Coelho construiu um alicerce para a literatura brasileira mundo a fora. Mais que tudo isso, construiu um ponte que poucos, muitos poucos conseguem alcançar. O que é que tem de errado em querer Não Complicar As Coisas? Sim, porque isso que ele faz: simplifica as coisas, torna a leitura prazerosa para muita gente.  Parabéns ao grande Paulo Coelho.

:: Postado por Fábio Mota às 09h09         ::         :: Envie esta mensagem



 

Natal e a liberdade de culto

 

Minha avó era católica e sempre ia à igreja, não faltava um final de semana. Às vezes. Não. Sempre eu tinha de acompanhá-la à bonita igreja, de padres italianos, que tem lá no Jacaré, hoje povoado da cidade de Jenipapo dos Vieiras. Mas nem mesmo perto do Natal, eu era tomado por o espírito de Papai Noel. Para outros tem seu significado, para mim não tem não.


Cresci num ambiente religioso e ateísta. Era tão comum ver minha avó rezando um Pai- Nosso antes de dormir como também ver meu avô xingando, chamando pelo diabo o dia inteiro, “diabo, diabo e diabo.” Desde cedo, meus avós me ensinaram que Papai Noel existia e não existia. Assim, não me disseram que eu deveria escolher um lado.

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Na primeira vez que o vi, num filme da sessão da tarde, parece-me, não tenho certeza, o velhinho vestido com aquele traje, achei ridículo. Imaginei logo o calor que ele deveria sentir, pois eu sentia bastante calor naquela época, como agora, e olha que eu ainda era magrinho, diferente de agora.


De pronto, veio-me à cabeça o sentimento que trago até os dias atuais. Eu desabei a pensar que sabia e não sabia; que era feio ficar enganando as crianças com essas coisas bobas porque Papai Noel não existia, mas também era bonito porque uns preferiam e preferem acreditar em algo a em nada acreditar.

 

Ainda vivo dividido entre quem acredita e quem não acredita até hoje, seja a idéia que for. Afirmar ou ter certezas é um perigo, segundo meu eu.  Fico mais feliz com a agonia e a solidão da filosofia com seus muitos porquês sem respostas; porém outros preferem suas crenças pessoais, e isso é legal.


Mas confesso que tenho muito medo – e acho que todos deveriam ter –  das pessoas que defendem liberdade para todos, um mundo melhor, um lugar verde – eu prefiro o ar condicionado. Quando não repudio teus gestos, nem desprezo suas crenças, nem me indigno com suas atitudes, estou respeitando seus valores. Respeito ao próximo, deveríamos defender essa máxima. E respeito todos carecem, inclusive eu, com esses pensamentos esquisitos, não?

 

Barra do Corda é uma cidade maravilhosa para se viver por que é linda e pacata por natureza. Mas, como cidade pequena, é uma cidade fechada para certas formas de liberdade de fato: a liberdade de você ser reconhecido pelos outros como realmente o é, independentemente de família, classe social, e principalmente, de credo.

 

Tem muita gente dizendo que quer salvar a humanidade e extinguir tudo que há de ruim nela, mas só querem mesmo roubar o pouco que ainda resta nos bolsos dos pobres, por isso fiquemos espertos. O que os outros pensam é importante, mas é preciso pensar e duvidar também, os deuses salvadores da pátria geralmente cobram uma taxa para fazer seus milagres.

:: Postado por Fábio Mota às 17h00         ::         :: Envie esta mensagem



 

O Filho da Revolução

            Não sou um leitor compulsivo, tenho problemas com leituras obrigatórias. Esse obrigatório deixa a obra entediante. Diversos livros já me fizeram esmorecer por causa dessas características. Na verdade já estou metendo na cabeça a idéia de escrever os meus próprios livros. Não sei se é bom ou ruim; e por enquanto não importa; só leio o que posso e o que me interessa.


            Outro dia, há mais de um mês, recebi um presente que, com intensidade me interessa – o melhor, maior e mais significativo que já ganhei –, um livro biográfico sobre a vida de Renato Manfredini Júnior, conhecido pelo nome artístico: Renato Russo. Nunca, é importante citar, havia me sentido tão privilegiado, pois o presente, muito além de vir de longe, da capital brasileira, veio pelas mãos de um conhecido, colega de faculdade do Renato.


            Hesitei bastante antes de abrir o folhoso, a expectativa foi grande por que estava diante de mim algo muito importante. Comecei neste domingo passado, ainda está longe de acabar, mais de quatrocentas páginas de puro deleite, por vezes tendo de voltar um pouco para não deixar nada passar despercebido. Renato Russo – O Filho da Revolução é um livro grandioso, em todos os aspectos; provavelmente deve ter custado um tanto de reais; mas o seu verdadeiro valor jamais poderia ser comprado.


            Carlos Marcelo, o autor, esmiúça arquivos pessoais, faz entrevistas, coleta dados e informações de quem conviveu com Renato Russo; além disso, fontes documentais da época: jornais, revistas, programas de rádio falam do roqueiro e fazem o retrato de um Brasil ainda em processo de descobrimento ou e redescobrimento do potencial artístico de seu povo, abrangendo segmentos culturais: literatura, música, artes plásticas, cênicas etc. Quem gosta de história do Brasil, certamente gostaria de lê-lo.


            Fala das relações do excêntrico ambiente que cercava Renato, fazendo um aparato geral sobre a fundação de Brasília, sobre um governo de ditadura militar; e de como o líder da Legião Urbana usou a inteligência para iniciar e conduzir a carreira de sucessos, diante de uma juventude perdida com os anos de redemocratização do país.


            Vou continuar a leitura, talvez depois volto a escrever sobre. O principal objetivo deste texto é agradecer o presente do amigo Heider Moraes, que se entusiasmou com uma crônica que fiz em março deste ano sobre os 50 anos do Renato Russo. Ele me disse que eu fiz por merecer o presente. Obrigado, então, continuo à leitura.

:: Postado por Fábio Mota às 09h26         ::         :: Envie esta mensagem



 

SANGUE AZUL

 

            Toda vez que termino de ler um livro gosto de dividir a experiência. Hoje vou começar com palavras tiradas do próprio volume lido, elas fazem uma pergunta interessante: “Se uma dúzia de policiais sem nenhum aparato especial, sem a superestrutura do Estado junto com eles, toma um morro inteiro, porque a PM, com seus milhares de soldados, não consegue acabar com o tráfico?”.

 

            Sangue azul – morte e corrupção na PM do Rio é um livro impressionante, um depoimento de Rubens, pseudônimo de um policial da ativa que relata sua vida, detalhadamente. Rubens, numa chocante autobiografia, narra a crua e apavorante realidade de um sistema irreparavelmente corrupto. E denuncia o envolvimento da mais alta a mais baixa patente da Polícia Militar carioca com o tráfico e o crime.


            Um sistema que não dar outra opção aos PM’s, a não ser entrar na sujeira que existe por baixo dos panos, abafados por comandantes, delegados, coronéis, cabos, sargentos etc. E vivem o drama inevitável, onde tudo começa das esferas governamentais, que fecham os olhos para a guerra que mata milhares, silenciosamente. Um sistema podre que transforma todos os policiais em verdadeiros assassinos, matadores, que na dúvida, matam qualquer um, bandidos ou inocentes.


            A confissão do policial é  narrada pelo jovem roteirista de cinema Leonardo Gudel, que escutou Rubens e transcreveu, sem nunca fugir dos horrores que ouviu, um homem sem vida que usou um nome de fantasia para dar seu depoimento; algo estéril, desumano, e o mais importante para quem ler, sem censura.


            Em certos momentos, diante do envolvimento na história, esquecemos até que se trata de uma realidade. Temos vontade de não acreditar em nada do escrito, mas infelizmente, não temos outra saída, esse é o Brasil que os brasileiros escolhem nas eleições e festejam com pão e circo, e também com foguetes e som alto.


            Como os policiais sabem que seus superiores, sentados em suas poltronas, faturam com o tráfico e o crime, acabam não sentindo culpa alguma na hora de meter a mão na grana suja também. Pois são eles, os PMs, que diariamente invadem os morros e colocam a vida em risco.


            E, assim como comecei, vou terminar. Com um trecho tirado do livro que diz muito mais do que eu poderiam tentar dizer. Durante uma operação, alguns PMs estavam fazendo algo errado, então um dos policiais, com medo, questiona para outro se o que estavam fazendo era certo, a resposta foi: “Sabe o que eu acho? Vou ser sincero com vocês. A população tem mais é que se fuder. Ela tem a polícia que merece, num sabe votar. Agora se tu deu pra trás é tu que vai ficar mal comigo e com os seus colegas. A escolha é tua”

 

                   

:: Postado por Fábio Mota às 08h42         ::         :: Envie esta mensagem



 

Eu Sou Ozzy

Eu Sou Ozzy é um livro autobiográfico de John Michael Osbourne, mais conhecido como Ozzy Osbourne, uma lenda viva do rock 'n' roll. Lançado no Reino Unido em 2009 e no início do ano nos Estados Unidos chega agora ao Brasil para a felicidade dos fãs brasileiros. A obra narra uma vida de aventuras, onde o absurdo sempre esteve presente. Mas acima de tudo, é uma leitura muito prazerosa, tanto para os fãs quanto para qualquer outra pessoa.  

O livro trás as lembranças de uma mente que abusou das drogas e do álcool. Mas essa vida louca é que realmente fala quem é Ozzy, ou talvez quem foi. Um cara que vivia 24h por dia fora de órbita. Entretanto o autor não deixa de falar como as drogas e as bebidas afetaram negativamente sua carreira, a sua vida.

 

Também não se esquiva de assuntos como seu nem sempre fácil relacionamento com Tommi Iommi, Bill Ward e Geezer Butle, os co-fundadores e companheiros do Black Sabbath, a banda que criou a música pesada, chamada de Heavy Metal.

 

Osbourne era pobre, de família humilde e teve uma infância nada fácil na escola. Dislexia(dificuldade na área da leitura, escrita e soletração), inquietude, hiperatividade eram alguns dos problemas psicológicos do menino. Depois de largar a escola, trabalhou em lugares que iam de como testador de buzina a funcionário de frigorífico.

 

A saída para Ozzy foi a música. E o sofrido começo nesse ramo é narrado de forma aberta e transparente. Do início do Black Sabbath passando pela expulsão da banda por abuso de drogas até a mudança de trajetória para a bem-sucedida e milionária carreira solo.

 

Pai de cinco filhos, nos dias atuais Osbourne se encontra sóbrio. O que mostra que nem tudo na sua vida foi loucura. Eu Sou Ozzy é um presente para os fãs, mas também é uma história de vida de alguém que venceu. Portanto um livro para ser lido por qualquer ser humano.

 

Mas a grande ironia é que no final, depois de ler sobre os excessos com todos os tipos de drogas: maconha, cocaína, heroína, etc... e mais o álcool, a pergunta que não quer calar é: será que Ozzy realmente é humano?

:: Postado por Fábio Mota às 07h46         ::         :: Envie esta mensagem



 

O Símbolo Perdido

 

Nesta semana iniciei a leitura do mais recente livro publicado do autor norte-americano Dam Brown, cujo título é O Símbolo Perdido. Trata-se da continuação das aventuras de Robert Langdon, personagem especialista em simbologia e possuidor de grande habilidade para resolver enigmas. A estória teve início com o romance Anjos e Demônios, continuada por O Código da Vinci, agora complementada por O Símbolo Perdido.

 

O livro, como não poderia ser diferente, trás o mesmo estilo dos anteriores. Dam Brown é um autor imoralista (aquele que não aceita que escarrem na sua cara regras sem sentido). Escreve sem ligar para crítica de hipócritas “sábios” que engolem ou fingem engolir um monte de bobagens moralistas(regras) sem um simples “ por quê?”. 

 

Assim, O Símbolo Perdido trás mais um toque de história da arte, revelação de novas tecnologias, dúvidas existências etc. Numa atraente mistura de ficção e realidade. Continua a brilhante obra.

 

Mas o mais interessante é o caráter crítico que a estória nos oferece sobre temas considerados sagrados por muitas pessoas que preferem não questionar qualquer coisa. Dam Brown coloca em foco perguntas sobre verdades que muitos poucos ousam discutir. Uma eletrizante diversão, impossível para de ler.

 

Depois de Anjos e Demônios com os Illuminati, uma poderosa fraternidade que ressurgiu disposta a levar a cabo a lendária vingança contra a Igreja Católica; O Código da Vinci com o Priorado de Sião, uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo, que já teve como membros Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Da Vinci, entre outros; agora o labirinto de verdades ocultas tem códigos maçônicos, símbolos escondidos e investigação sobre o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico, com O Símbolo Perdido.

 

Ainda não conclui a leitura do livro. Além de ser volumoso, em torno de 500 páginas, temo deixar de apreciar algo interessante, então procuro não andar rápido demais. Apesar do número de páginas, não é tão pesado. Pelo contrário, não é fácil largar esse livro. A continuação de uma obra-prima, não deixe de saboreá-lo.

:: Postado por Fábio Mota às 16h49         ::         :: Envie esta mensagem



 

RENATO RUSSO, O HINO DE UMA GERAÇÃO

27 de março de 2010. É a data em que Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como Renato Russo, completaria 50 anos.

 

Um dos maiores compositores do rock pop brasileiro, Renato liderava, escrevia as letras e cantava as músicas da Legião Urbana, a banda que conseguiu, como nenhuma outra, sintetizar o que é viver numa idade confusa, efervescente e que despreza os valores estabelecidos pela sociedade, a adolescência.

 

Renato retratou em suas letras tudo que os jovens gostariam de gritar, em tempos de fim de regime militar, principalmente. Mas que, por causa de uma coisa ou de outra, não conseguiam expressar.

 

De certa forma, Renato nunca deixou seu espírito adolescente de lado. Digo isso sem um sentido negativo, pois foi essa inquietude que o transformou numa lenda do rock nacional. Nunca conseguiu contentar-se ou ao menos entender esse “mundo doente”, a “estupidez humana” e viveu uma vida intensa.

 

Aos 15 anos de idade, enfrentou e venceu uma doença óssea chamada epifisiólise. Em 1982 com a banda Legião Urbana iniciou uma careira de sucesso e posteriormente, em 1996, foi derrotado pela Aids.

 

Mas Renato foi muito mais. Seus questionamentos continuam vivos e atuais. Ainda não conseguimos entender, por exemplo, “Que País é Esse”; a humanidade continua desumana; a juventude continua sem escolas, etc.

 

Tive uma adolescência em frenesi causado pelas letras e melodias da Legião Urbana e, de uma forma um pouco estranha, sinto grande saudade de tudo que o Renato não pôde escrever. Sei que é esquisito, mas sinto saudades daquilo que ainda não vi, ou ouvi.

 

Celebro os 50 anos que Renato faria com imensa saudade. Mas também com alegria por conhecer sua obra, alegria por que para mim ele continua muito vivo e presente em suas letras colocando dúvidas sobre diferenças sociais, sexo, droga, paixão, etc.

 

Sim, “existe razão nas coisas feitas pelo coração”. Renato é a prova. Pois antes de ser um poeta filósofo, era um ser muito preocupado e autoconscisnte em relação à sociedade. Em suas letras, entrevistas, ele deixa transparecer algo de muito humano, um apaixonado pela vida.

 

"Pecado é provocar desejo e depois renunciar." Eu acho que você pecou, Renato. Pois “foi embora cedo demais”.

:: Postado por Fábio Mota às 11h49         ::         :: Envie esta mensagem



 

DIÁRIOS DE BICICLETA

Nessa semana resolvi adquirir o livro Diários de Bicicleta. Isso aconteceu depois que li um bom resumo do mesmo, o livro me pareceu fascinante. O autor é David Byrne, um compositor e produtor americano. No resumo achei umas coisas interessantes, semelhantes com a minha vida diária aqui na cidade cordina, por isso não pude resistir e então o comprei. Agora, neste exato momento, escrevo meu diário de bicicleta.

 

O livro conta, numa conversa com o leitor, os pensamentos que passam pela mente do autor enquanto ele anda por aí mundo à fora. Em Buenos Aires, Sidney, Berlim ou Istambul.

 

Eu que também vivo pedalando, mas sem sair da cidade, logo me identifiquei com a obra. Mesmo sem ir muito longe, concordo quando ele fala que de cima de uma bicicleta temos uma outra visão. Que as perspectivas nos são um tanto diferentes. Isso mesmo, atrás do guidão existe uma outra visão de mundo. O pedestre não vai a lugar algum, o motorista passa rápido demais pelos lugares; já o ciclista se relaciona com os locais por onde passa.

 

Sempre andei de bicicleta. Dei uma pausa, mas já estou de volta. Todos os dias passo pelos bairros Cerâmicos, Tresidela e, às vezes, vou até o Centro. É o percurso que faço para ir ao trabalho e depois voltar.

 

Assim como o autor do livro, percebo que de bicicleta é possível ver um outro impacto, talvez mais verdadeiro, que as coisas causam na gente. O motorista não ver, como o ciclista, as áreas mais pobres e não urbanizadas à cerca da cidade. Se passar por algum buraco, evidentemente, a pancada será outra.

 

De cima da bike, temos outros olhos para com as pessoas. Diria que é uma visão mais humana, diferente daquele olhar de alguém motorizado e mais “poderoso”. Às vezes, em certos casos, os motoristas chegam a demonstrar certa saudade do encanto de pedalar. Solta um sorriso e vai embora, sem sequer trocar uma palavra. Mas deixa a boa sensação de que nos conhecemos de verdade.

 

Noutros casos, os olhos dos motoristas parecem querer explodir. O estresse, a irritação traduz suas indignações, como se quisessem dizer: “O que esse idiota faz na minha frente”. Ou então: “Quem ele pensa que é para ter o direito de estar na minha frente".

 

Muitos motoristas não conseguem reconhecer o ciclista como um indivíduo igual a ele. Para eles, o ciclista faz parte de uma outra classe, uma classe inferior.

 

Aqui na Barra, quase completamente tomada por carros e motos, pedalar em lugares como o centro da cidade não é coisa fácil. Nos outros bairros o movimento é menor, por isso é melhor para quem anda de bicicleta, mas a desprezo dos motoristas é o mesmo.

 

Também cabe ressaltar que andar com esse veículo sem motor não é mais bem aceito pela sociedade. Se você não tem ao menos uma moto, pode ser que não valha muita coisa. Vai ver isso seja,talvez, resultado da nossa evolução, não?

 

Bom, é isso. Esses diários trazem umas coisas bem legais. A bicicleta nos mostra atitudes mais humanas. Percebemos que nosso comportamento depende de como nos vemos, principalmente socialmente.

 

Termino o diário com uma pergunta para você motorizado: quando estás no teu veículo, o que tu vês em alguém de bicicleta?

 

 

:: Postado por Fábio Mota às 17h49         ::         :: Envie esta mensagem



 
 
 

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